PERDAS E DANOS NA PRÁTICA
- Observatório das Baixadas

- 10 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
ENQUANTO LIDERANÇAS MUNDIAIS SE REUNIRAM NO SEGUNDO DIA DA COP 30 (11) PARA DISCUTIR O CLIMA, A BAHIA ENFRENTAVA UM EXTREMO CLIMÁTICO DESTRUIDOR.
Salvador registrou chuva acima da média histórica de todo o mês de novembro. Mais de 100 ocorrências foram registradas pela Defesa Civil, e a cidade segue em alerta para risco de deslizamentos e ventos fortes.
FONTE: CNN BRASIL / REPRODUÇÃO TV BAHIA
E O QUE SÃO PERDAS E DANOS?
Perdas e danos são os impactos adversos das mudanças climáticas que, apesar das medidas de adaptação das nações e comunidades, não podem ser totalmente evitados. Mesmo quando há infraestrutura adequada, eles acontecem. São situações em que eventos extremos, como tempestades, secas e ondas de calor, geram consequências que ultrapassam a capacidade de resposta das comunidades.
As perdas e danos são categorizadas em:
Econômicos/Materiais
Danos a bens, infraestrutura, propriedades e perdas de produção (agricultura, turismo).
Não Econômicos/Materiais
Perda de vidas, saúde, biodiversidade, patrimônio cultural e conhecimento tradicional.
Fonte: EY Brasil. Risco de extremos climáticos no Brasil: causas, desafios e recomendações sobre resiliência e desenvolvimento sustentável (2024)..
Dados meteorológicos indicam uma alteração significativa no clima do Brasil, responsável pela formação do evento extremo na Bahia durante o dia 11 de novembro.

PANORAMA DE PERDAS E DANOS
Dano material, por tipo de desastre (2014–2024)
Desabrigados e desalojados, por tipo de desastre (2014–2024)
Nos últimos 10 anos no Brasil, as chuvas intensas são a maior responsável por danos materiais e não materiais.
Mais de 51% dos danos materiais foram causados por esse tipo de extremo climático, o que também representa o evento que mais desabriga e desaloja pessoas em todo o território nacional.
As perdas e danos não se distribuem de forma igual. Territórios racializados, com maior vulnerabilidade social, infraestrutura precária e limitada capacidade de adaptação, sofrem impactos muito mais intensos e prolongados.

INSTITUTO CULTURAL BANTU (ICBANTU): UM EXEMPLO PRÁTICO DE PERDAS E DANOS
O Instituto Cultural Bantu (ICBantu), localizado no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica (BA), é uma referência em resiliência, memória e cultura. Há quase 20 anos, a organização promove educação, assistência social, segurança alimentar e a Capoeira Angola como expressão da cosmovisão africana, impactando diretamente crianças, jovens, mulheres e suas famílias por meio de atividades socioeducativas e da valorização da herança africana.
As recentes chuvas extremas que atingiram a Bahia causaram danos significativos à sede do Instituto, comprometendo parte de sua estrutura e afetando um projeto que beneficia diretamente mais de 380 pessoas do território. O caso evidencia como eventos climáticos extremos podem gerar perdas e danos que ultrapassam os impactos materiais, afetando também iniciativas comunitárias fundamentais para a proteção social, a construção da autoestima e o fortalecimento cultural de populações vulnerabilizadas.
Atualmente, a sede do ICBantu encontra-se em reforma para reparar os prejuízos causados pelas chuvas. A situação demonstra, na prática, como as mudanças climáticas impactam de forma desproporcional territórios com menor capacidade de adaptação, reforçando a necessidade de mecanismos efetivos de apoio e financiamento para perdas e danos.
A IMPLEMENTAÇÃO DE FUNDOS DE PERDAS E DANOS É URGENTE!
Instrumentos como o fundo de resposta a perdas e danos, discutido na COP30, são fundamentais diante de um cenário em que os impactos climáticos já ultrapassaram a capacidade de adaptação de territórios vulnerabilizados, como demonstram as recentes crises na Bahia.
Avançar na implementação desses fundos significa transformar compromissos internacionais em justiça climática concreta. Para isso, é essencial garantir acesso desburocratizado aos recursos e uma governança que coloque as comunidades no centro das decisões.





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