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Em Manaus, 99,8% da cidade respira um ar insalubre, e o pior recai sobre quem tem menos renda e menos sombra

Foto do escritor: Observatório das Baixadas
Observatório das Baixadas
25 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 26 de set.

Observatório das Baixadas lança o Atlas da Periculosidade do Ar - Manaus, ferramenta que classifica os 3.281 setores censitários da capital.



Belém (PA) / Manaus (AM), 25 de setembro de 2026 — Às 10h desta quinta‑feira, 99,8% da cidade (3.276 dos 3.281 setores censitários de Manaus)  estavam sob ar classificado como insalubre pela escala do índice de qualidade do ar (US EPA). Nenhum setor da capital amazonense registrou ar considerado bom. O dado abre o Atlas da Periculosidade do Ar, ferramenta lançada hoje pelo Observatório das Baixadas.


O Atlas atribui a cada setor censitário uma nota de criticidade de 0 a 100, que combina a qualidade do ar do local com fatores que agravam a exposição: calor de superfície, falta de arborização, corrente de vento, renda e a presença de favelas e comunidades urbanas. O resultado é um mapa de prioridades, onde o ar perigoso encontra a população mais vulnerável.


Os números de 25 de setembro:

  • 2.494 setores (76%) ficaram na faixa de risco Extremo, a mais alta da escala;

  • 1.334 setores (40,7%) registraram índice acima de 150, a faixa "insalubre", não apenas para grupos sensíveis;

  • nenhum setor da cidade teve ar classificado como bom;

  • 2.383 setores (72,6%) têm temperatura de superfície de 40 °C ou mais.

O achado mais consistente é social. Entre os setores em risco Extremo, a renda média do responsável pelo domicílio é de R$ 2.345, contra R$ 4.471 nos demais; a cobertura de árvores é de 34,9%, contra 50,4%; e a temperatura de superfície é 2,6 °C mais alta. Dos setores dentro de favelas e comunidades urbanas de Manaus, 92,6% estão em risco Extremo, contra 57,2% dos que ficam fora delas.


"Manaus não tem um problema de ar em alguns bairros. Tem um problema de ar na cidade inteira, que pesa mais onde a renda é menor e há pouca arborização”, afirma Andrew Leal, Responsável Técnico do Observatório das Baixadas.

Sobre a metodologia. A nota de cada setor tem dois andares. O patamar vem do índice de qualidade do ar do próprio setor, ancorado nas seis faixas da escala US EPA. Sobre ele, um agravamento de até 20 pontos pondera sete indicadores locais: qualidade do ar, corrente de vento, calor de superfície, arborização, altura das edificações, renda e presença de favela ou comunidade urbana. Na prática, o ar define em que faixa o setor está, e os demais indicadores definem sua posição dentro dela.


O Atlas é uma ferramenta de priorização, não um laudo de exposição individual: o índice de qualidade do ar vem de previsão de modelo (CAMS/Copernicus), em grade regional, e os pesos ainda não foram calibrados contra desfechos de saúde. A consulta foi feita dentro do período seco amazônico.


Sobre o Observatório das Baixadas. Sediado em Belém do Pará, o Observatório das Baixadas produz dados e ferramentas tecnológicas sobre os territórios periféricos da Amazônia, cruzando bases oficiais com modelos ambientais e o conhecimento das próprias comunidades. O Atlas da Periculosidade do Ar integra o Atlas das Baixadas, plataforma pública de mapeamento do Observatório.


Acesso à ferramenta no Atlas das Baixadas:

Atlasdasbaixadas.com (Camada na seção "Especiais OBx)


Contato de imprensa

(91) 99331‑6212


Contato técnico

Andrew Leal — Responsável Técnico


Os dados completos dos 3.281 setores, com a nota decomposta em patamar e agravamento, estão disponíveis para consulta pela imprensa via email.



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