A DELEGAÇÃO DO OBSERVATÓRIO DAS BAIXADAS NA COP30 EM BELÉM
- Observatório das Baixadas

- 9 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de jun.
A equipe do OBX ocupou espaços da zona azul, verde e amarela e demais eventos paralelos durante a COP30, levando as vozes das baixadas ao centro de discussões e decisões climáticas globais.
[PRESS RELEASE]
A delegação do Observatório das Baixadas se prepara para ocupar a COP30, que será realizada em Belém. Em um dos eventos mais importantes do mundo sobre mudanças climáticas, a presença do observatório marca um posicionamento político direto: levar para o centro das decisões globais as vozes das periferias, das baixadas e da população negra que vive diariamente os efeitos da crise climática.
A COP30 acontece na Amazônia, mas essa centralidade geográfica não garante, por si só, justiça climática. Nas periferias urbanas de Belém, a crise já é realidade concreta, expressa em alagamentos, calor extremo, ausência de saneamento e precariedade nas condições de moradia. É desse lugar que a delegação se coloca, afirmando que não existe debate climático legítimo sem a participação de quem sente essas transformações na pele.
Na Zona Azul, onde acontecem as negociações oficiais, estarão Andrew Leal, Waleska Queiroz, Amarílis Marisa e Juliane Castro. Na Zona Verde e na Zona Amarela, espaços de articulação, mobilização social e construção coletiva, estarão Rui Gemaque, Thaila Maria, Andreza Melo, Ane Carine, Erik Silva, Elinaldo Caldas, Beatriz Ribeiro e Wesley Silva.
A presença nesses espaços não é neutra. É uma estratégia de incidência política, de disputa de narrativa e de afirmação de que as periferias não podem seguir sendo tratadas apenas como áreas vulneráveis. O Observatório das Baixadas surge justamente como um instrumento de produção de conhecimento a partir desses territórios, rompendo com a lógica que historicamente excluiu a periferia negra dos espaços de decisão e da construção de soluções.
O diferencial do observatório está na sua base. É a periferia negra produzindo dados, leitura territorial, comunicação e tecnologia a partir da própria experiência. Não se trata de falar sobre a periferia, mas de falar desde a periferia, transformando vivência em análise, e análise em ação política.
Ao ocupar a COP30, a delegação tensiona um modelo de governança climática que ainda concentra poder e voz. A mensagem é direta: não há solução para a crise climática sem justiça racial, sem justiça territorial e sem reconhecer a potência das periferias como produtoras de conhecimento e de futuro.

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