BRUTALIDADE POLICIAL NAS COMUNIDADES DA BAIXADA FLUMINENSE
- Observatório das Baixadas

- 10 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Uma análise da letalidade policial nos últimos 5 anos de operação.
No dia 06 de junho de 2025, infelizmente, mais um inocente foi vítima da ação policial intolerável no Rio de Janeiro (RJ). O caso de Herus Guimarães está longe de ser isolado. O ocorrido na capital é a nítida demonstração de um padrão operacional violento do Estado do Rio de Janeiro nas comunidades fluminenses. Nesse cenário de terror a Baixada Fluminense ainda é a que tem as operações mais letais. Segundo os dados, a taxa de letalidade das ações da PM-RJ na Baixada Fluminense é 51% maior que na capital fluminense.
O Observatório das Baixadas focou esta pesquisa sobre as mortes de pessoas inocentes em operações policiais na Baixada Fluminense, entre 1º de janeiro de 2024 e 9 de junho de 2025. O objetivo é reunir dados quantitativos confiáveis sobre esses acontecimentos, cobrindo os 13 municípios da região, a partir de fontes oficiais, relatórios de organizações de direitos humanos e coberturas jornalísticas.
De acordo com os dados, o primeiro semestre de 2024 registrou 782 operações policiais na Baixada Fluminense, representando um crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2023. Esse volume equivale a quatro operações diárias na região, que abriga 3,9 milhões de habitantes distribuídos em 13 municípios. Entre 2020 e 2023, as operações cresceram 250%, saltando de 350 para 1.234 intervenções anuais. A imagem a seguir mostra o crescimento exponencial da violência policial em operações nas favelas e comunidades da Baixada Fluminense entre janeiro de 2020 e maio de 2025.

A Baixada Fluminense segue como epicentro da letalidade policial no estado, com 782 operações no 1º semestre de 2024 que deixaram 21 mortos. Duque de Caxias lidera em número de ações e mortes, seguido por São João de Meriti e Belford Roxo. Em Japeri tem a taxa de letalidade mais alta, oito vezes maior que a da capital, e a média regional supera a estadual e a da cidade do Rio. O gráfico abaixo mostra a distribuição municipal das mortes na baixada fluminense de Janeiro-abril, 2025.

Na Baixada Fluminense, 73% das vítimas de letalidade policial são negras, majoritariamente homens jovens entre 12 e 24 anos. Em municípios como Japeri e Belford Roxo, com altas proporções de população negra, o padrão é ainda mais acentuado. Entre 2019 e 2023, pessoas negras morreram 6,4 vezes mais que brancas em ações policiais no Estado. Os gráficos abaixos revelam, segundo organizações de direitos humanos, um cenário de genocídio estrutural da população negra no Rio de Janeiro.

Por fim, as operações têm um retorno muito baixo para o Estado do Rio de Janeiro e um alto “custo humano” para as comunidades. Apesar de representar mais de 30% das operações policiais do estado, a Baixada Fluminense responde por apenas 7,7% das apreensões de drogas, com poucas ações resultando em grandes confiscos.
Mesmo com R$17,8 bilhões investidos em segurança pública e incentivos financeiros por apreensão de fuzis, os resultados são inexpressivos, e demonstram a real ineficácia dessas operações frente ao alto custo humano. A seguir o gráfico apresenta uma análise do retorno sobre investimento das operações e o custo benefício da morte.


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