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BRASIL NA CONTRAMÃO DA ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA

  • Foto do escritor: Observatório das Baixadas
    Observatório das Baixadas
  • 2 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

PESQUISA


Brasil seguiu na contramão da adaptação climática enquanto calamidades e falhas institucionais se agravaram

Texto adaptado por Juliane Castro


Imagem ilustração: Instagram Observátorio das Baixadas
Imagem ilustração: Instagram Observátorio das Baixadas

O Brasil enfrentou, no início de 2025, um cenário alarmante que evidenciou a fragilidade do Estado diante da emergência climática. Apenas em janeiro, mais de 250 situações de calamidade pública foram registradas no país, a maioria causada por eventos hidrológicos extremos, segundo dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). O número, por si só expressivo, consolidou uma tendência crescente de eventos severos e expôs a dificuldade histórica do país em atuar de forma preventiva.


Fonte: Sistema Integrado de Informações sobre desastres
Fonte: Sistema Integrado de Informações sobre desastres

Esse cenário foi resultado de uma combinação de fatores naturais e antrópicos. Em 2025, o planeta atingiu o pico de atividade solar dentro do seu ciclo de 11 anos, conforme apontado por relatórios da NASA. Ao mesmo tempo, fenômenos climáticos como El Niño e La Niña continuaram a influenciar diretamente os regimes de chuva no Brasil. Embora esses ciclos sejam naturais, seus efeitos foram intensificados pela poluição atmosférica e pelo avanço do aquecimento global, tornando os eventos mais extremos e frequentes.


Apesar da previsibilidade desses fenômenos, o país não acompanhou com a mesma intensidade a necessidade de adaptação. Especialistas já vinham apontando que o Brasil deveria ter acelerado investimentos em infraestrutura resiliente, planejamento urbano e sistemas de prevenção. No entanto, o que se observou foi uma predominância de ações reativas, voltadas à gestão de crises após os desastres.

No estado do Pará, que se preparava para sediar a COP 30 em Belém, contradições se tornaram evidentes. Movimentos formados por indígenas, professores e moradores locais se mobilizaram contra a Lei 10.820/24, que ameaçava a estrutura da educação em áreas do interior. Embora o governo estadual tenha iniciado o processo de revogação, o episódio foi interpretado como um sinal de fragilidade nas prioridades institucionais. Para críticos, ao mesmo tempo em que se projetava internacionalmente como protagonista da agenda climática, o estado demonstrava dificuldades em garantir condições básicas para sua população.


Mapa de representação de comunidades expostas a situação de conflito / Imagem: Instagram Observatório das Baixadas
Mapa de representação de comunidades expostas a situação de conflito / Imagem: Instagram Observatório das Baixadas

A situação se agravou diante do avanço de projetos de exploração mineral em regiões sensíveis, muitas vezes sobrepostas a áreas protegidas. Esse movimento intensificou conflitos territoriais e reforçou um modelo econômico considerado por especialistas como incompatível com os princípios da sustentabilidade.


Outros estados brasileiros também foram impactados por problemas estruturais. Em dezembro de 2024, a chamada Operação Overclean revelou um esquema de desvio de aproximadamente R$1,4 bilhão em recursos públicos, envolvendo contratos superfaturados ligados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). A operação foi conduzida pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União e do Ministério Público Federal, e atingiu estados como Bahia, Tocantins, São Paulo e Minas Gerais.


O DNOCS, órgão estratégico no enfrentamento de eventos climáticos extremos, foi diretamente afetado pelo esquema, o que levantou questionamentos sobre a efetividade do uso de recursos destinados à adaptação climática. O caso reforçou a percepção de que o problema da adaptação no Brasil não se limitou à falta de financiamento, mas também esteve ligado à gestão e à transparência desses recursos.


Diante desse cenário, a busca por financiamento climático internacional, frequentemente debatida em conferências como as COPs, passou a ser vista com cautela por analistas. Sem mecanismos eficazes de controle e governança, havia o risco de que novos recursos não se convertessem em melhorias concretas para a população.



O EXEMPLO DO PARÁ DA COP 30


Imagem: Instagram Observatório das Baixadas
Imagem: Instagram Observatório das Baixadas
Apesar da revogação da lei ser iniciada pelo governo estadual, A demonstração do interesse em fragilizar infraestruturas básicas, como a da educação, revelam que a adaptação está mais no campo das ideias do que da prática.

Por outro lado, a mobilização social no Pará, especialmente em Belém, demonstrou a capacidade de organização da sociedade civil frente a decisões políticas. O movimento pela revogação da Lei 10.820/24 foi apontado como um exemplo de participação ativa e pressão popular por políticas mais justas.


Ao longo desse período, consolidou-se a avaliação de que a adaptação climática no Brasil dependia não apenas de investimentos em infraestrutura, mas também de avanços em transparência, governança e justiça social. Sem essas bases, especialistas indicaram que o país continuaria preso a um ciclo de resposta emergencial, distante de uma estratégia efetiva d

e enfrentamento da crise climática.



 
 
 

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