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PAINEL CLIMÁTICO DE BELÉM: Dados sobre justiça climática da Região Metropolitana de Belém

  • Foto do escritor: Observatório das Baixadas
    Observatório das Baixadas
  • 10 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de jun.

Ferramenta desenvolvida pelo Observatório das Baixadas, Centro Brasileiro de Justiça Climática e Casa Fluminense democratiza o acesso a dados socioeconômicos, territoriais, ambientais e racializados da RMB.


 [PRESS RELEASE]

NOTA

O Painel Climático de Belém foi desenvolvido em parceria entre o Observatório das Baixadas (OBX), o Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) e a Casa Fluminense. A iniciativa tem como objetivo democratizar o acesso aos dados socioeconômicos, territoriais, ambientais e racializados da Região Metropolitana de Belém (RMB), por meio de uma plataforma pública e de fácil acesso que possibilita a visualização, o cruzamento e a análise de informações relevantes para o enfrentamento das desigualdades climáticas. Lançado durante a COP30, o Painel Climático de Belém reforçou o debate sobre justiça climática e ampliou a democratização do acesso aos dados socioambientais e climáticos da RMB.


O painel climático de Belém é uma plataforma interativa com dados voltado à análise da justiça climática na Região Metropolitana de Belém (RMB). A iniciativa foi desenvolvida em parceria entre o Observatório das Baixadas (OBX), o Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) e a Casa Fluminense. A plataforma  surge como uma ferramenta estratégica para compreender, por meio dos mapas temáticos, sobre a crise climática que impacta a vida cotidiana dos moradores da Região Metropolitana de Belém, especialmente nos territórios mais vulnerabilizados como as baixadas. O objetivo é democratizar o acesso aos dados socioeconômicos, territoriais, ambientais e racializados da RMB, a partir dessa plataforma de forma simples e pública, possibilitando a visualização, cruzamento e análise dos dados relevantes ao enfrentamento das desigualdades climáticas.


A plataforma apresenta, por exemplo, dados de temperatura da Região Metropolitana de Belém, indicando que 68,51% da população vive em áreas sob condições térmicas extremas, com temperaturas superficiais variando entre 30°C e 39,5°C. Esse risco não é distribuído de forma igual entre os diferentes grupos sociais e territórios, evidenciando desigualdades sociais e climática. Outro risco recorrente são as inundações, destacando que as áreas inundáveis na Região Metropolitana de Belém se restringe aos municípios de Belém e Barcarena, por serem os únicos com dados disponíveis no Serviço Geológico do Brasil, o que reforça a limitação, a falta de transparência e a ausência de uma sistematização contínua de dados.


Em Belém, cerca de 51% da população vive em áreas suscetíveis à inundação, sendo que a maior parte das pessoas expostas é negra, representando 75,13% da população em risco, evidenciando como esses impactos não são distribuídos de maneira igual, sendo marcada por desigualdades históricas. Nesse contexto, o painel incorpora uma análise que considera marcadores como raça, gênero e território que está entrelaçado ao racismo ambiental na produção dessas vulnerabilidades.


Os dados sistematizados mostram que uma parcela significativa de moradias da RMB está exposta a condições críticas, seja pelo calor excessivo ou seja pela localização em áreas de risco. Grande parte dessas residências estão situadas em favelas e comunidades urbanas, onde vivem majoritariamente mulheres negras, que acabam sendo diretamente afetadas pela ausência de infraestrutura adequada e pela insuficiência de políticas públicas voltadas à adaptação climática. Além disso, o levantamento também aponta para um número expressivo de pessoas impactadas por eventos extremos recentes, como chuvas intensas, revelando a urgência de respostas mais efetivas por parte do poder público.


Outro aspecto relevante evidenciado pelo painel diz respeito às fragilidades estruturais da região, como a baixa cobertura de saneamento básico, a escassez de áreas verdes e a limitada arborização urbana, fatores que agravam ainda mais os efeitos da crise climática. Soma-se a isso a ausência ou desatualização de instrumentos de planejamento urbano dos municípios da RMB, o que dificulta a implementação de estratégias consistentes de mitigação e adaptação.


Mais do que reunir informações, o Painel Climático de Belém se consolida como um instrumento político e social, ao tornar os dados acessíveis e inteligíveis para diferentes públicos, como moradores, pesquisadores, jornalistas e ativistas. A proposta é fortalecer o direito à informação como um elemento central na luta por justiça climática, permitindo que a população conheça melhor seu território e, a partir disso, possa reivindicar políticas mais justas e eficazes.


Em 2025, Belém sediou a COP30. Nesse contexto, a iniciativa do Painel Climático de Belém reforçou o debate sobre justiça climática e a democratização do acesso aos dados socioambientais e climáticos da Região Metropolitana de Belém (RMB), por meio do lançamento da plataforma. Conhecer, interpretar e divulgar esses dados é um passo fundamental para construir caminhos concretos de enfrentamento das desigualdades climáticas e promover transformações que garantam melhores condições de vida para quem vive na Amazônia urbana.


Acesse o Painel Climático de Belém: https://cbjcc.hub.arcgis.com/pages/painelclimaticodebelem


FOTO: Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC)

Referências

PAINEL CLIMÁTICO DE BELÉM. (2026). Plataforma digital de visualização e análise de justiça climática da Região Metropolitana de Belém. Belém: Observatório das Baixadas, Centro Brasileiro de Justiça Climática e Casa Fluminense. Disponível  em:  https://cbjcc.hub.arcgis.com/pages/painelclimaticodebelem. Acesso em: Mai/2026. 



 
 
 

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