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A ÁGUA DAS INUNDAÇÕES E OS RISCOS À SAÚDE

  • Foto do escritor: Observatório das Baixadas
    Observatório das Baixadas
  • 11 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

PESQUISA


Água de enchentes expôs população a bactérias, vírus e substâncias tóxicas em cidades brasileiras

Texto adaptado por Juliane Castro


Foto: Reprodução Instagram
Foto: Reprodução Instagram

As enchentes que atingiram diversas cidades brasileiras nos últimos anos não deixaram apenas prejuízos materiais, mas também expuseram milhares de pessoas a riscos significativos à saúde. Uma análise conduzida pelo Observatório das Baixadas mostrou que a água que invadiu casas durante esses eventos carregou uma combinação perigosa de agentes biológicos e químicos.


Sempre que situações extremas de inundação ocorreram, a população esteve em contato direto com bactérias, vírus, fungos e substâncias tóxicas presentes na água contaminada. Esse cenário foi ainda mais grave em áreas com infraestrutura precária de saneamento, como regiões de baixadas, onde a contaminação por esgoto doméstico foi recorrente.


Dados do Instituto Trata Brasil indicaram que, ao longo da última década, 31 municípios figuraram entre os 20 piores do país em rankings de saneamento. Entre as capitais com os índices mais críticos estiveram Belém, São Luís, Recife e Rio de Janeiro — localidades que também enfrentaram recorrentes episódios de alagamento.


Fonte: Instituto Trata Brasil (2024)
Fonte: Instituto Trata Brasil (2024)

A pesquisa analisou estudos sobre a qualidade da água em seis regiões brasileiras, incluindo essas capitais, além de Florianópolis e a Bacia do Rio Tietê. Foram examinados diferentes corpos hídricos, como rios, igarapés, riachos e baías, com o objetivo de identificar padrões de contaminação e os principais riscos à saúde da população exposta.


Os resultados mostraram que a água de enchentes apresentou contaminação severa em todos os locais analisados. Entre os microrganismos mais recorrentes estavam coliformes totais e termotolerantes, incluindo a bactéria Escherichia coli, considerada um dos principais indicadores de contaminação fecal. Também foram identificados vírus como rotavírus, adenovírus humano e norovírus, associados a doenças infecciosas.


A exposição a esses agentes esteve relacionada ao desenvolvimento de uma série de problemas de saúde. Entre os mais comuns estiveram doenças gastrointestinais, infecções urinárias, infecções de pele, além de quadros mais graves como a Leptospirose. No caso dos vírus, sintomas como febre, vômito intenso, dor abdominal, fadiga e conjuntivite foram frequentemente associados.


Além dos riscos biológicos, a presença de substâncias químicas também preocupou os pesquisadores. Metais como manganês, ferro e mercúrio foram identificados em diferentes amostras, podendo causar irritações na pele, dermatites, alergias e, em casos de alta exposição, intoxicação. A presença de metais pesados foi considerada especialmente crítica em cidades com atividade industrial, portuária ou costeira.


Outro ponto de destaque foi a recorrência dos coliformes fecais em todas as análises. Esses microrganismos, presentes no intestino de animais e humanos, indicaram contaminação direta por esgoto, reforçando a relação entre enchentes e falhas estruturais no saneamento básico.


O estudo também teve como base dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, que identificaram as cidades com maior incidência de inundações no país. A partir disso, foi possível cruzar informações e compreender quais contaminantes apareceram com maior frequência, bem como os principais impactos na saúde pública.


Diante desse cenário, especialistas reforçaram a importância de medidas imediatas após o contato com água de enchente. Entre as recomendações estiveram a remoção de roupas contaminadas, higienização do corpo com água limpa e sabão, desinfecção de feridas, limpeza dos olhos com soro fisiológico e a busca por atendimento médico em caso de sintomas.


A análise concluiu que a água de enchentes, longe de ser apenas um transtorno momentâneo, representou um vetor significativo de doenças. A recorrência desses eventos, somada à precariedade do saneamento em diversas cidades brasileiras, evidenciou um problema estrutural que ampliou os riscos à saúde das populações mais vulneráveis.




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